Ontem a noite quando olhei para o céu notei a presença de uma estrela diferente. Era uma estrela que nunca tinha visto outra igual. Ela era toda saltitante, ficava brincando com as outras estrelas e cantarolando, até podia ouvir bem de longe Arrastão de Elis Regina. Sem contar que ela tinha um brilho único, era a estrela mais cintilante do céu. E alguns contam que essa estrela era apaixonada pela vida, que já tinha vivido histórias que nem uma mulher de 100 anos havia vivido, e sempre histórias tristes, mas ela nunca foi cadente, sempre segurou firme e lutou até o último suspiro. Tinha um ar de menina sapeca, daquelas de enfiar a cara no bolo de aniversario da amiguinha e sair correndo. E o coração de uma mulher vivida, quantas lembranças boas e ruins, quantos momentos vividos com amor e quantas personagens que essa menina já viveu, seja na vida ou no palco, que era o local onde se sentia melhor, seu sonho era viver uma personagem Rodrigueana, mal sabia ela que várias Sônias, Alaides, Virgínias, Dona Flávias, Madames Clessis, Silenes e tantas outras viviam no seu íntimo e sua vida nada mais era que uma tragédia Rodrigueana. Ficou até conhecida como a mulher da mala, daquelas histórias que achamos que só existem em jornais sensacionalistas ou em textos teatrais contemporâneos. E quando vivemos uma história dessas dói muito, pois a realidade cala e sangra. Sangra pela vida que essa menina buscava. Estava prestes a realizar sonhos de toda uma vida e uma forte tempestade veio e afogou esses sonhos. Mas tenho certeza que não acabou não é a toa que ela está se destacando entre as outras estrelas, ela tem muitas outras histórias para contar, e seu lema era a alegria, alegrar a vida de todos a sua volta, e mesmo lá de cima suas lembranças irão tomar conta do nosso ser e nos trazer alegria. Como sempre trouxe. Descanse em paz minha pimentinha...
Ao longe avisto cavalos negros trotando, eles vão em direção aos roseirais, que acabaram de florir. O coração abafa e com um alazão da noite tudo é levado, aos poucos campos floridos viram migalhas de perfume. A viagem chega ao fim do mar, e a estrela da manhã raiada não sabe se florescerá...
Nesse exato momento me bateu uma nostalgia, estava vendo no youtube Carmen de Bizet com a divina Callas e me deparo com um link da Celine Dion fazendo uma interpretação inocente da ópera. Me bateu muitas saudades de um tempo que não volta nunca mais, de momentos maravilhosos que vivi com pessoas que fizeram diferença na minha vida, mas que por algum descuido eu perdi contato. Agora no som está tocando Show Some Emotion, e eu me questiono será que eu me permiti? Será que eu mostrei alguma emoção? Será que eu derrubei algumas paredes? Mas acho que não, meu maior problema é o desapego, às vezes pode ser benéfico, mas na maioria das vezes sei que não é. Eu preciso trabalhar isso em mim, não posso achar que as pessoas são descartáveis, eu preciso dar mais valor nas atitudes e momentos vividos por elas. Como diz Bethânia: música é perfume, é sensorial. E acredito piamente nisso, a música tem esse poder de nos fazer voltar no tempo e recordar momentos que estavam no fundo do baú. E isso é muito forte para mim, Celine Dion tem uma presença marcante em toda minha adolescência, lembro de uma tarde linda na beira de um rio com muitos eucaliptos em volta e eu com um amigo ouvindo no discman o mais novo Cd da diva, era uma despedida de sétima série e todos estavam alegres na água e nós nos deleitando ao som da canadense, que pra mim é uma das cantoras mais afinadas e quem consegue me emocionar profundamente, debaixo daquela sombra agradável. Anos se passaram e eu olho para meu armário e vejo praticamente a discografia completa da Celine e meu coração aperta, de saudades. Da pura saudade de uma amizade que era verdadeira, mas que precisamos tomar rumos diferentes, o desentendimento foi maior e um elo de anos foi rompido. Sinto-me culpado por não ter procurado mais, por ter vivido só a minha vida e ter abandonado essas pessoas. Mas a vida é assim, cada um segue um caminho diferente e os desencontros passam a ser maiores. Cada vez tenho mais a absoluta certeza que somos sozinhos, que nascemos e morremos sozinhos, muitos virão e partirão e nós continuaremos sozinhos. E quando você menos espera tudo deságua em sua cabeça, o coração aperta e você lembra-se de tudo como se fosse hoje. E a saudades vai ficando cada vez maior.
Assim passaram-se 13 meses, as janelas continuam fechadas e os rostos continuam pesados. Haverá sempre muita amargura em cada sorriso e olhar. As botinas continuam postas debaixo da máquina de costura, as flores florindo no jardim, os animais pastando e na rádio suas canções preferidas são as mesmas às 4 da manhã. A chaleira no forno de lenha está seca, preta do antigo carvão, mas as brasas apagadas, assim como os corações. O pé de manjericão ganhado de presente secou, e as janelas continuam fechadas. As paredes do corredor e dos quartos gritam por socorro e infelizmente ninguém ouve. As marcas de fogo estão lá rebocadas por cimento na vasta escuridão e ausência da família. Todas as noites ele chora na busca do que se perdeu, mas não há respostas, as pessoas só aparecem por lá de vez em quando, a senhora procura pela antiga paz no infinito desejo, ele aparece e ela não o vê. Sua ausência física é mais forte do que seus gritos estranguladores por justiça. Tudo em vão! Pois as janelas continuam fechadas. E assim passaram-se mais de 13 meses, passaram anos e anos e as janelas continuaram fechadas. O jardim irá ficar cada vez mais florido e as pessoas daquela casa carregarão essa angustia para sempre, pois, as janelas ainda estão fechadas...
Fiquei completamente decepcionado com a estréia da Viagem Teatral 2011! Eu não entendo como um pastelão de quinta categoria como que vi hoje foi selecionado, era bizarro, deprimente, angustiante, RIDÍCULO... Me dói saber que ainda existem trabalhos brilhantes, que faz arte de fato e não são selecionados, e coisas amadoras como aquela são, e ganhando muito bem por sinal, pra chegar no teatro e jogar "bosta" na cara do público, chamando todos de idiotas e o pior é que alguns riem de si próprios achando tudo tão engraçado. Coisas como essas desanima qualquer um, acho totalmente deselegante sair da sala enquanto o trabalho está sendo apresentado, mas hoje não tinha como, estava sendo super desconfortável permanecer lá vendo o tal de “Teatrokê”. Tenho esperança dos próximos trabalhos serem bons, mas fico aqui tentando entender qual é o processo de seleção. Porque não tem explicação em selecionar uma coisa dessas.
Eles iam felizes para o almoço em família, um rapaz e uma moça andando de moto por uma estrada deserta. E de repente no Ipod do rapaz toca um tango apaixonante, ele para no meio da estrada, pega sua dama e começam a bailar felizes naquele lugar deserto onde ninguém poderia vê-los, apaixonados se beijam e seguem o caminho...
Manhã de segunda-feira, ele como de costume acordava todos os dias atrasados para ir trabalhar. Abriu o portão de casa, tirou o carro e notou que algo de estranho estava acontecendo. As ruas estavam silenciosas, as árvores não balançavam, pois o vento não soprava e nem sinal dos pássaros. A vizinha que varria sua calçada todos os dias estava trancada dentro de casa e ele seguiu sua rotina, pelas ruas desertas de uma segunda-feira silenciosa, parecia que todos estavam de luto e o sol escondido por trás de nuvens escuras o fazia ficar mais apreensivo. Chegou ao trabalho e lá havia uma alegria contagiante, todos tomavam café sorrindo e brincando. De repente o telefone toca desesperadamente. E a moça brinca:
- Preciso atender, vai que alguém morreu!
As brincadeiras continuam e na sala ao lado a moça que há segundos sorria está em desespero, seu avô tinha falecido, e assim ela volta em prantos pedindo desculpas e dizendo que precisava ir. Um longo silêncio pairava por aquele local, lágrimas de alguns companheiros caiam e ela seguiu aos braços da família. O clima de angustia daquele local foi quebrando aos poucos. O telefone continuou tocando, os clientes da moça ligavam em busca de aprovações dos trabalhos e sua cadeira continuava vazia. Mas seus trabalhos iam sendo liberados, a rotina de todos voltavam ao normal, aquele estranhamento do rapaz passou e o céu escureceu desabando em chuva.
Tanto eu esperei pra te encontrar e pra sempre te seguir deixar o tempo ir passando e se perder deixar a noite madrugar e o sol nascer pra nós dois só
Quando eu te encontrei eu me encontrei e simplesmente descobri que cada história de amor tem,é sempre a mesma constante do amor
Mas vamos ser a mais feliz a mais bonita historia de amor que este amor que temos em nois dois pra sempre vai ficar e pra viver o quanto amamos até depois depois da brisa além do viver nós dois só nois
Como vou te amar e ao teu lado quero sempre, vou ficar não ver o tempo se passar ou se perder deixar a noite madrugar e o sol nascer pra nós dois só...
Ela chupava aquela jabuticaba com um leve amargo que nunca sentiu. Aquele gosto foi adentrando seu ser, deixando a moça desesperada, ela se agarrava no lençol úmido do caldo da jabuticaba e chorava. Parecia que ela nunca mais iria chupar uma jabuticaba docinha. Lá fora a chuva caia. Parece que todas as vezes que ela sentia um amargo na boca o céu desabava, era uma cumplicidade sombria e cheia de cismas, não se sabia ao certo o real sentido de tudo aquilo. Só se sabia que existia dor e melancolia. Ela ligou o rádio e estava tocando sua música preferida com Bebel Gilberto e como se a chuva estivesse roxa melando toda sua visão ela dormiu. Com a esperança de que no outro dia as jabuticabas estivessem docinhas e ela pudesse sonhar novamente...
Cena La Perra dirigida por Tiago Junqueira Apresentada dias 02 e 03 de outubro de 2010 na Galleria em Birigui.
Falta de apoio é o principal problema enfrentado pelos grupos da cidade
Fundada há três anos a companhia de teatro de Birigui Os Hedonistas batalha dentro e fora dos palcos para se manter em atividade. “A cultura em Birigui é deixada de lado pela administração municipal”, afirma os fundadores da companhia Renata Carvalho e Tiago Junqueira. Para eles, a falta de apoio, principalmente por parte da administração municipal, é o maior obstáculo a ser superado.
“Manter uma companhia é muito caro. Existem muitos custos (figurino, divulgação, produção, espaço, iluminação), por isso a necessidade de parceiros”. Comentam.
ESPAÇO
Além da falta de apoio financeiro e do reconhecimento por parte da população, outro ponto que atrapalha ainda mais na divulgação da cultura local. “A cidade não dispõem de locais para apresentações”. Com pouco mais de 100 mil habitantes, Birigui possuí um único teatro, o do Sesi. Porém as companhias locais não podem utilizar o espaço, considerado um dos mais bem equipados do interior. Isso porque o teatro só é utilizado apenas por grupos e companhias da própria instituição.
Mesmo com tantos desafios os integrantes do grupo garantem que é possível reverter esse quadro. “É um trabalho árduo. A cidade não é cultural. As pessoas (população) não valorizam a cultural local. Para isso precisamos buscar meios próprios para divulgar o teatro”, completam os atores.
Por exemplo, foi apresentado em outubro (dias 02 e 03) na cidade a terceira edição do Projeto Experimentos Cênicos. Projeto esse que vem sendo desenvolvido desde 2009 e tem o compromisso de movimentar a arte, desenvolver trabalhos criados e dirigidos por pessoas da cidade de Birigui, fazendo com que essas pessoas possam trabalhar sua criatividade e também possam ganhar autonomia que as leve ao caminho do profissionalismo, pois só assim poderá existir na cidade um movimento sustentável e embasado para o desenvolvimento da arte.
A versão inicial contou com sete colaboradores que se revezam entre a direção, produção, concepção e atuação. Já na segunda edição o numero de pessoas envolvidas no projeto chegou a dezesseis, isso mostra a confiança e a credibilidade que o projeto conseguiu adquirir desde sua primeira versão. A atual manteve o mesmo número de colaborados diretamente ligados ao projeto, mas indiretamente muitas outras pessoas colaboraram para a realização do mesmo. Lembrando que sempre sem verba de instituições públicas.
Diferentemente das duas primeiras edições que foram apresentadas somente na cidade de Birigui, esta será apresentada em outras cidades da região, esse é mais um passo dado para a consolidação de um trabalho que só faz crescer ao longo de cada ano, crescer em numero de artistas, colaboradores, principalmente em qualidade e profissionalismo.
O grupo agradece imensamente ao publico que compareceu em todas as edições do projeto, porque são essas pessoas que dão energia e faz crescer nos atores a vontade de continuarem e não desistirem, apesar de toda a dificuldade que existe para fazer com que aconteça.
E eles não desistem, o projeto será levado em frente mesmo sem apoios, como foi levado até agora com dificuldades mas há de crescer ainda mais, porque os artistas/colaboradores que o desenvolvem além de muita vontade possuem uma outra característica que não os deixaria desistir nunca, o AMOR PELO TETRO E PELA ARTE DE UMA MANEIRA GERAL.
E é em nome desse AMOR PELA ARTE que os idealizadores desse projeto gostariam de agradecer imensamente todos os artitas/colaboradores que já passaram pelo projeto e principalmente os que ainda continuam e não desistiram do compromisso que assumiram não conosco, mas com a ARTE.
Para matar a saudades dele, ela andava pela casa na noite silenciosa com o seu chinelo, como se assim pudece ficar mais próxima daquele que mais amava...
Fim de outubro, a cidade já começa a ter um clima angustiante, um cheiro de verde pisado paira no ar. Seria cheiro de lembranças? Boas ou ruins?... Logo vem novembro as casas ficam mais iluminadas por pisca-pisca coloridos ou até mesmo monocolores, as pessoas passam a desejar bom dia, feliz natal e um próspero ano novo. Sentada numa cadeira de escritório uma moça diz detestar essa época, a vendedora de anúncios em jornal diz também odiar assim como ela e do outro lado da sala um rapaz de vinte e poucos anos monta uma gigantesca árvore de natal, naquele momento da conversa ele está colocando uma estrela linda e dourada no topo da árvore. Vira para as mulheres encantado com o clima que está criando e diz: - O natal é tão lindo, a família toda se reúne em casa, nessa época é quando posso ver meu pai e meus avôs. Acho linda essa união, todos ficam felizes, a mesa fica farta e todos se abraçam pelo amor de Jesus. Eu sorrio a noite toda e durmo satisfeito. Não é lindo isso? As mulheres apenas acenam a cabeça com um sim coagido e continuam seus trabalhos...
Saudades de um tempo que não volta mais. Saudades de coisas lindas que vivemos. Saudades de ter, ser e sentir. Saudades de brigas, carinhos e farras. Saudades de um passado que era bom e não sabíamos o quanto. Saudades, apenas saudades... A saudade assim como o amor faz chover.